"Crimes na Net estão em alta reconhece PJ"


Do jornal Público, 16.03.2007, José Bento Amaro

Ascende a cerca de 500 mil euros o montante anual que é desviado, em Portugal, através de crimes informáticos. Este tipo de delito, que está a crescer de modo muito significativo - por vezes com aumentos, em áreas específicas, na ordem dos mil por cento -, tem uma taxa de sucesso na ordem dos 80 por cento relativamente às investigações da Polícia Judiciária (PJ).
Ontem, em Lisboa, durante uma conferência sobre Combate à Criminalidade Informática, o inspector Baltazar Rodrigues, da PJ, revelou que só no ano passado foram instruídos 655 processos relativos a este delito, e 526 foram concluídos com êxito.
Baltazar Rodrigues diz que, anualmente, cerca de duas dezenas de pessoas são detidas devido a crimes informáticos. Um aspecto singular neste tipo de delinquência é o de os autores serem, em número quase igual, portugueses e estrangeiros. "São pessoas com idades entre os 20 e os 40 anos, geralmente introvertidas e que possuem alguma formação académica", diz o inspector da Secção de Investigação Criminal de Informática e Telecomunicações.
Os dados da PJ referem que, em relação ao fishing (ver caixa), os bancos têm por hábito indemnizar os clientes a quem são sacadas importâncias. A média, em Portugal, é de dois crimes anuais por cada uma das instituições bancárias. No entanto, este número aumenta substancialmente se se tiver em conta que cada banco tem um número de clientes lesados que oscila, no mesmo período, entre uma a duas dezenas.
Mas existe também a convicção de que os bancos nem sempre comunicam os crimes de que são alvo, potenciando assim a prática de mais ilícitos e impedindo, muitas vezes, a identificação de suspeitos. Quem quase nunca apresenta queixa são as empresas vítimas de extorsão. "Este crime é preocupante, tem cifras negras", diz Baltazar Rodrigues, admitindo que os lesados, por terem absoluta necessidade de terem acesso rápido aos dados que os criminosos encriptam, optam quase sempre por pagar os resgates exigidos. Na conferência, Baltazar Rodrigues salientou ainda que também têm vindo a aumentar os crimes de pedofilia com recurso à Internet, sendo os pedófilos cada vez mais difíceis de localizar.

Segundo a Polícia Judiciária, dos 655 processos instruídos no ano passado, 526 foram concluídos com êxito