Identidade Digital e Falsificações

Falsificações com Identidade Digital mais difíceis de detectar
Fonte: RTP

O coordenador de um estudo apresentado hoje em Lisboa alerta para o risco de roubo da identidade digital, quando ela for criada, por ser muito mais difícil distinguir as falsificações do que nos actuais documentos convencionais.

A identidade electrónica, contida num cartão, "permite falsificações de assinatura muito mais parecidas do que as manuais", disse à agência Lusa o professor universitário e perito em sistemas de segurança Paulo Veríssimo.

O investigador coordenou o estudo "Identidade Digital", apresentado hoje em Lisboa, elaborado para dar "um contributo construtivo para se compreenderem melhor os riscos e as oportunidades que se colocam na transição para a esfera da Identidade Digital".

A realização do estudo foi promovida pela Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação (APDSI).

Embora reconhecendo as enormes vantagens de cada cidadão passar a ter os seus dados num sistema digital em vez dos ainda usuais cartões de leitura (bilhete de identidade, cartão de saúde, segurança social eleitor ou Finanças, para citar alguns casos), os especialistas alertam para os maiores riscos se for possível a cópia da informação contida no "chip" de um cartão.

Será como "roubar o rosto" a alguém, com uma enorme dificuldade de ser recuperado, considera Paulo Veríssimo.

Contudo, o especialista defende que a "tecnologia está num ponto em que é possível criar condições de segurança" para se avançar no sentido da identidade electrónica.

Em Portugal, exemplos de documentos digitais são o passaporte electrónico e o novo cartão de cidadão, que começou por ser emitido nos Açores, mas que vai ser gradualmente alargado a todo o país.

Outro colaborador no estudo, o dirigente da APDSI José Gomes Almeida, considera que a identificação digital "é vantajosa", mas é necessário alertar os cidadãos, que "têm de estar conscientes de que tudo passa a ser mais fácil, para o bem e para o mal".

"É fácil alguém andar com um único cartão", em vez dos vários actuais, "mas se for copiado..." tudo se complica, sustenta Gomes Almeida.

Este especialista considera mesmo que está na altura de "rever" o artigo 35 da Constituição da República que proíbe a atribuição de um número nacional único aos cidadãos.

A situação que se coloca com um cartão e número único para cada cidadão é semelhante à que se passa com os cartões de crédito e a relativa facilidade com que são falsificados.

Por isso, a identificação digital "pode-nos dificultar a vida se não estivermos preparados" para ela, acrescenta.

O novo Cartão de Cidadão começou a ser emitido a 14 de Fevereiro na ilha do Faial, Açores, numa cerimónia em que o primeiro-ministro, José Sócrates, entregou os primeiros documentos à melhor aluna, Cristina Resendes Maia, 15 anos, e a João Ferreira Matos, 86 anos, um dos cidadãos mais idosos da ilha.

O novo documento de identificação substitui o Bilhete de Identidade e os cartões de Contribuinte, da Segurança Social, da Saúde e, posteriormente, o do número de eleitor.

Até Junho, a emissão dos novos cartões deverá estar generalizada às nove ilhas açorianas, chegando a Portalegre no mês seguinte, e alargando-se aos distritos de Évora e Bragança em Outubro.

Nos restantes distritos do país, na Região Autónoma da Madeira e nos consulados portugueses no estrangeiro, os documentos vão ser emitidos apenas em 2008.

Agência LUSA
2007-04-18 13:15:01