Luzsec Portugal ataca

Hackers divulgam dados pessoais de 107 polícias de Lisboa e ameaçam toda a PSP
29.11.2011 - 08:10 Por José Bento Amaro

Um grupo intitulado Lulzsec Portugal terá acedido ilegalmente aos computadores do Ministério da Administração Interna (MAI), copiado e divulgado os dados pessoais de mais de uma centena de efectivos da PSP a trabalharem em três esquadras de Lisboa. Num texto resumido, acompanhado do endereço onde os dados pessoais podem ser consultados, os hackers ameaçam vir a divulgar os elementos de todo o efectivo da PSP, argumentando que tal acontece como represália pelos actos de violência que terão sido praticados contra pessoas que, no dia 24, participaram, em frente à Assembleia da República, no protesto da greve geral.

Os dados pessoais (nome, posto, número de identificação, local de trabalho e cargo desempenhado, número de telefone e contacto e-mail) de 107 polícias começaram a ser divulgados na noite de domingo. Ontem de manhã muitos polícias contactados pelo PÚBLICO, incluindo diversos sindicatos, desconheciam a eventual intromissão e violação da Rede Nacional de Segurança de Segurança Interna, sistema no qual se incluem ainda os dados pessoais de outras forças tuteladas pelo MAI, nomeadamente a GNR e os bombeiros. Feito o contacto telefónico para a assessoria de imprensa do ministério, não foi negada a quebra de segurança, mas recusaram fazer qualquer comentário sobre a situação.

No curto texto do Lulzsec Portugal é dito: "Em resposta às detenções e violência sobre civis desarmados iremos divulgar os dados de todos os agentes da PSP, esquadra a esquadra, indivíduo a indivíduo, a começar pela esquadra de Chelas". Para Hélder Andrade, presidente da Associação Sindical dos Oficiais da Polícia (ASOP), o texto em causa é motivo mais que suficiente para "pedir esclarecimentos à Direcção Nacional [da PSP]".

...

Notícia completa no site do Público: http://www.publico.pt/Sociedade/hackers-divulgam-dados-pessoais-de-107-policias-de-lisboa-e-ameacam-toda-a-psp-1523008


Hackers querem ataques colectivos a partir de 1 de Dezembro
29.11.2011 - 17:37 Por João Pedro Pereira

Num texto publicado hoje, o LulzSec Portugal afirma que vai juntar-se ao Anonymous Portugal (ambos inspirados nos grupos internacionais homónimos), para dar início ao que chamam a operação #AntiSecPT (mais uma vez, inspirada numa operação semelhante a nível internacional).

Os autores do texto incitam os “auto-didatas, e hackers a espalharem pelo nosso país, assinando anonimamente em nome do movimento #AntiSecPT, em defacements [alterações a sites], ataques DDOS [ataques que visam tornar um site inacessível] e leaks [fugas de informação], que exponham online a corrupção”.

A mensagem encoraja ainda acções fora da Internet: “Apelamos que seja espalhado em graffitis pelas paredes, pela música, por vídeos e textos o combate à corrupção em nome do movimento #AntiSecPT”. Os autores, porém, fazem um apelo ao afastamento das acções de rua: “Convidamos os Anonymous com conhecimentos de informática a afastarem se das manifestações e a juntarem se a nós para uma ‘desobediência civil’ online”.

O texto foi publicado no site TugaLeaks, que tem vindo a divulgar informação sobre este género de acções em Portugal.

De acordo com a mensagem, o principal motivo da operação agendada para o próximo mês parecem ser os incidentes com a polícia ocorridos durante o dia da greve geral. “Houve denúncias e houve testemunhas que presenciaram agentes policiais à paisana a agredir e a prender injustamente um jovem, mas as inter-redes não ficaram em silêncio. Iremos denunciar os chefes policiais que obrigam a polícia no terreno a agredir os seus irmãos e irmãs que protestam pacificamente.”

Contactados por email, os responsáveis pelo texto não responderam até à hora de publicação deste artigo. Na sexta-feira passada, os LulzSec escusaram-se a responder a questões do PÚBLICO, “Neste momento não estamos dispostos a dar entrevistas”, disseram.

Ao PÚBLICO, o advogado Manuel Lopes Rocha, especializado na área das tecnologias de informação, explicou que os ataques registados recentemente aos sites portugueses, e que são do mesmo género daqueles a que os LulzSec agora incitam, podem ser punidos ao abrigo da Lei do Cibercrime, que, entre outros, prevê crimes de sabotagem informática, dano de sistemas informáticos e de acesso ilegítimo. Nos casos mais graves, a pena pode ir até aos dez anos de prisão.

http://www.publico.pt/Tecnologia/hackers-portugueses-apelam-a-operacao-conjunta-a-partir-de-1-de-dezembro-1523102