SIS já terá identificado dois suspeitos dos ataques informáticos

no Público:

SIS já terá identificado dois suspeitos dos ataques informáticos

O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa anunciou ontem já ter delegado na Polícia Judiciária (PJ) a abertura de inquéritos que podem vir a culminar em processos-crime e que visam punir os responsáveis por uma série de ataques informáticos desencadeados nos últimos dias contra forças policiais e outros serviços do Estado, assim como em hospitais, partidos políticos e meios de comunicação social.

Apesar das investigações estarem em curso, os responsáveis pelo DIAP lamentam que os recursos periciais disponíveis sejam "ridiculamente escassos". Estas informações foram divulgadas um dia depois do SIS, cujos computadores também já terão sido devassados, ter alegadamente identificado, na zona de Sintra, dois jovens suspeitos.

Fonte policial contactada pelo PÚBLICO aludiu à localização de dois suspeitos e adiantou que, a confirmar-se o facto de estes serem autores de alguns ataques informáticos, poderão conduzir os investigadores a outros indivíduos. As investigações do SIS iniciaram-se a partir da localização de presumíveis integrantes do movimento LulzSec Portugal, o mesmo que, via Twitter, ordenou o ataque a computadores da PSP, MAI, Hospital da Cruz Vermelha, Parlamento, Ministério da Justiça, ao Portal das Finanças e, pelo menos, a quatro partidos políticos.

As informações alegadamente colhidas pelo SIS deverão agora transitar para os inspectores da PJ que têm a seu cargo as investigações relacionadas com a criminalidade informática.

A decisão do DIAP em dar a investigação à PJ surge na sequência dos mais recentes ataques informáticos na PSP, que viu divulgados dados pessoais (contactos telefónicos e correio electrónico, cargo desempenhado e colocação) de 107 polícias a trabalharem na zona de Chelas e, no dia seguinte, de mais algumas dezenas de associados do Sindicato Nacional dos Chefes. Mais tarde foi o próprio portal social da PSP e o sistema de correio electrónico que acabou por ser temporariamente afectado.

O Governo, nomeadamente o Ministério da Administração Interna, tem-se furtado a tecer comentários acerca destes crimes. No entanto, ontem, o ministro Miguel Macedo reconheceu, em declarações à Antena 1, que já "foram adoptadas uma série de medidas de contingência no sentido de protecção dos sistemas informáticos mais sensíveis".

Miguel Macedo, que voltou a insistir na ideia de que será melhor não dar "tanta atenção" a estes problemas, lembrou que não há sistemas informáticos inexpugnáveis e que até o Pentágono já foi alvo de ataques.

Mas, se para o Governo as medidas em curso poderão travar os ataques em causa, já para a directora do DIAP lisboeta, Maria José Morgado, é necessário reforçar os recursos periciais à disposição dos investigadores e do Ministério Público. Confirmando que a PJ já encetou diligências, a mesma responsável disse que o "cibercrime é dos maiores desafios às polícias, ao MP e aos tribunais" sendo que em países como os Estados Unidos é, logo a seguir ao terrorismo, a segunda prioridade dos investigadores criminais.