Meias-verdades sobre o software aberto


Alguns dos comentários ao artigo do Público sobre pirataria informática repetem uma série de lugares comuns românticos sobre software código aberto. Não há dúvida de que o software código aberto como um todo é um feito extraordinário, que merece todo o respeito e ser considerado como alternativa ao software comercial em inúmeras situações. No entanto, até por isso mesmo, é mau repetir argumentos que não correspondem à verdade:

1- O software aberto é gratuito. É uma meia-verdade. Para uma organização o software tem custos de aquisição, de instalação/configuração, e de administração. No caso do software aberto o primeiro desaparece mas os restantes, que tendem a ser muito superiores, continuam a existir.

2- O software aberto é desenvolvido por pessoas individuais e não por empresas. Dois contra-exemplos: a IBM pôr muitos engenheiros a contribuir para o Linux e a Yahoo! fez o mesmo para o Hadoop.

3- O software aberto não é um negócio. Na realidade existe sempre um modelo de negócio, nem que seja implícito. O negócio pode consistir em fornecer serviços de consultoria e suporte (há sempre inúmeras pequenas consultoras à volta de qualquer projecto de código aberto de grande dimensão), suporte a distribuições do software, ou simplesmente a busca de reconhecimento antecipando benefícios futuros.